Sobre

Aprender a Estudar Textos

Projeto

Todo professor enfrenta o desafio de garantir que cada um dos seus alunos desenvolva a capacidade de ler e compreender textos, ou seja, de construir significado a partir destes instrumentos privilegiados para acessar o conhecimento socialmente produzido. No entanto, os índices de aprendizagem revelam que o nosso sistema educacional ainda está longe de oferecer as ferramentas necessárias para que os alunos transitem livremente pelo universo letrado desde o início da escolaridade.

Por que esse processo não é tão simples como parece?

Em primeiro lugar, porque depois do ciclo de alfabetização, os textos que circulam nas escolas se tornam cada vez mais difíceis para os leitores que estão se iniciando no propósito de “ler para aprender” sobre diferentes conteúdos disciplinares.

Quem conhece os livros didáticos amplamente distribuídos no Brasil pode ter a impressão de que os textos disponíveis nesses materiais devem ser simples de compreender, já que não possuem mais do que dois ou três parágrafos. Porém, justamente para empacotar várias informações em poucas linhas, os textos apresentam um nível de complexidade significativo. Esta é a razão pela qual muitas vezes os alunos não conseguem responder sozinhos a perguntas aparentemente "básicas" de compreensão. A complexidade dos textos costuma ficar velada, tanto para o professor, quanto para o aluno.

Entretanto, isso não significa que precisamos descartar os textos didáticos! Eles continuam sendo apropriados e úteis, desde que você consiga administrar as dificuldades para tirar partido deles.

Agora deve estar se perguntando, mas como?

O projeto Aprender a Estudar Textos é um convite para você, professora ou professor, incorporar um olhar para a linguagem como ferramenta para ensinar e aprender.

Queremos te ajudar a planejar e implementar atividades que contribuam para desvendar junto aos seus alunos as várias camadas dos textos: não só “o que dizem” mas também “como dizem”. Para isso, criamos um percurso de estudo organizado em torno de uma sequência de 10 textos didáticos da área de História. O mergulho nas características da linguagem desses textos pode ser um grande aliado para o aprofundamento dos conteúdos disciplinares específicos, no nosso caso a História.

O nosso intuito é propiciar um campo de experiência novo onde você possa ver seus alunos pensando, falando e compreendendo melhor o que leem. A inclusão dos seus alunos neste outro patamar, depende de um trabalho intencional e planejado.

Histórico

O projeto Aprender a Estudar Textos é uma iniciativa do Laboratório de Educação, uma organização não governamental que desde 2012 se dedica à sistematização de metodologias que traduzem, integram e materializam o conhecimento produzido pelo mundo acadêmico, tornando-o aplicável em situações educacionais dentro e fora da escola.

A equipe do Laboratório de Educação há décadas mantém uma relação de colaboração e supervisão com Ana Teberosky, professora da Universidade de Barcelona. Sua produção acadêmica, dedicada à aprendizagem da linguagem a partir de uma perspectiva multidisciplinar, serviu como marco referencial para a concepção do projeto Aprender a Estudar Textos. Sob liderança técnica de Angélica Sepúlveda, investimos no desenho de práticas escolares fundamentadas em princípios teóricos derivados da linguística cognitiva e funcional, bem como em estudos realizados por Ana Teberosky no campo da psicopedagogia do ensino da linguagem, entre outros.

Desse processo nasce a proposta formativa desta plataforma, que tem como objetivo enriquecer as práticas de leitura de professores do 4º e do 5º do Ensino Fundamental, por meio de um olhar intencional para a linguagem dos textos de História.

Em ciclos permanentes de sistematização, implementação e pesquisa, fomos aprimorando a nossa compreensão não só das atividades a serem realizadas junto aos alunos – as condições que precisam ser garantidas, as aprendizagens que estas atividades propiciam, os desafios enfrentados – como também das estratégias formativas que ajudem os professores a se apropriar dos conhecimentos didáticos e de conteúdo (tanto da História quanto da Linguagem) que precisam ser articulados em sua prática pedagógica.

O desenvolvimento do projeto ao longo de todos esses anos contou com a perseverança e dedicação técnica e institucional de Beatriz Cardoso, Andrea Guida e Nicole Paulet Piedra.

Conheça um pouco do nosso percurso para entender como chegamos à proposta aqui apresentada:

2014
  • Primeira sistematização de fundamentação teórica e exemplos de sequências de atividades a serem realizadas em sala de aula para as disciplinas de História e Ciências.
  • Estudo piloto sobre o uso das propostas e conteúdos desenvolvidos, junto a turmas de 5º ano do Ensino Fundamental, em duas escolas públicas da cidade de Castanheira (MT) – Escola Municipal Castanheira e Escola Estadual Maria Quitéria.
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2016
  • Produção do “Caderno de Referência” do projeto, atualmente disponível na Biblioteca nos eixos de “Linguagem” e “Atividades para aprender a estudar textos”.
  • Pesquisa baseada no planejamento conjunto de seis a sete sequências didáticas junto a duas turmas de 4º ano e uma turma de 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Municipal Dilermando Dias dos Santos (SP).
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2017
  • Produção do “Caderno de Sequências Didáticas” do projeto, atualmente disponível na Biblioteca no eixo de “Exemplos e referências”.
  • Pesquisa baseada no planejamento autónomo de uma professora de 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Castanheira (MT), a partir do modelo oferecido em um ciclo de planejamento conjunto de atividades de leitura e estudo na área de História.
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2019
  • Desenho e implementação de percurso formativo do projeto, realizado ao longo de 10 meses, por meio de encontros semanais com 10 professores da Escola Estadual Prudente de Moraes (SP).
  • Concepção e desenvolvimento inicial da plataforma digital do projeto.

Em 2020, Aprender a Estudar Textos foi um dos 7 projetos aprovados no edital de 2019 do Lemann Brazil Research Fund, fundo de pesquisas em educação. Ao longo de 2021, o Laboratório de Educação realizará um estudo quase-experimental para validar os impactos desta metodologia de formação, em parceria com a professora Paola Uccelli da Faculdade de Educação da Universidade de Harvard e do professor Daniel Santos, coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social (LEPES) da Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto.

Reconhecimento

MÍDIA

"Navegar, estudar, aprender" Acessar
"O déjà vu dos olhares sobre as desigualdades na educação" Acessar
"Diálogo das Américas sobre a Liberdade de Expressão na Internet" Acessar

ACADEMIA

"Avances en el análisis de experiencias de innovación educativa en clases de Historia en 4o año de Educación Primaria" Acessar
"Language for reading and learning at school" Acessar
"Aprender a Estudar Textos no Ensino Fundamental" Acessar

Equipe

SUPERVISÃO TÉCNICA Beatriz Cardoso
COORDENAÇÃO GERAL Nicole Paulet Piedra (2018-2020), Andrea Guida (2012-2017)
GESTÃO OPERACIONAL Thais Baldo
PESQUISA Angélica Sepúlveda
CONTEÚDO Angélica Sepúlveda, Nicole Paulet Piedra
PRODUÇÃO AUDIOVISUAL Irmãos Guerra Filmes (produção), Caio Guerra (roteiro), Helena Guerra e Julia Zylbersztajn (direção), Yugo Hattori (direção de animação), Pedro Zylbersztajn (ilustrações), Jorge Neri (locução)
PRODUÇÃO GRÁFICA Pedro Zylbersztajn, Erik Takara
REVISÃO DE TEXTO Alice Noujaim
DESIGN E DESENVOLVIMENTO DE PLATAFORMA Sintrópika
DESENVOLVIMENTO DE FERRAMENTA PARA ANALISAR TEXTOS Marcelo Amancio, Luiz Guilherme Silva Junior
PALAVRAS UTILIZADAS NA FERRAMENTA PARA ANALISAR TEXTOS Amanda Rassi, Carolina Scarton, Claudia Barros, Maria Cristina dos Santos-Turati, Thiago Alexandre Salgueiro Pardo, com apoio de Sandra Maria Aluisio
PARCERIAS DE IMPLEMENTAÇÃO Escola Municipal Castanheira (MT), Escola Municipal Dilermando Dias dos Santos (SP), Escola Estadual Maria Quitéria (MT), Escola Estadual Prudente de Moraes (SP)

Um agradecimento especial às professoras Michelle Gonçalves, Rosimeire Gonçalves da Silva e Vanessa Santos Galdino, que participaram da implementação do projeto em 2019 e contribuíram para o desenvolvimento do percurso formativo que serviu de base para o design da plataforma.